
Muitas vezes, sentamo-nos à frente do telemóvel, abrimos o Instagram ou o Facebook e pensamos: “Mas o que é que falta? Eu posto todos os dias, faço directs, coloco fotos bonitas, mas o saldo no final do dia continua igual.” Se te sentes assim, deixa-me dizer-te já de entrada: tu não estás sozinho. Essa é a realidade de muitos empreendedores aqui na nossa banda que decidiram levar o seu negócio para o digital.
O problema é que nos venderam a ideia de que “estar na internet” é apenas postar fotos. Mas o digital não é um catálogo; é uma conversa de corredor, é um encontro no musseque ou num café no centro da cidade.
Vamos baixar a poeira e conversar abertamente sobre o porquê de o teu negócio estar a “bater na trave” e não converter em vendas reais.
1. Estás a falar para toda a gente (e ninguém te ouve)
A primeira grande falha é o medo de excluir alguém. Queremos vender para o jovem da universidade, para a dona de casa e para o executivo da Maianga. O resultado? A tua comunicação fica “água com açúcar” — não mexe com ninguém.
Quando postas todos os dias com uma linguagem genérica do tipo “Temos disponível, aproveitem!”, tu és apenas mais um ruído no feed. Imagina que entras num mercado cheio: se gritares “Olha o peixe!”, pouca gente olha. Mas se fores direto àquela senhora e disseres “Dona Maria, este carapau está mesmo bom para o almoço da sua família hoje”, ela para e escuta.
No digital é igual. Tens de saber com quem estás a falar. Se vendes sapatos de salto, não estás a vender apenas calçado; estás a vender confiança para uma mulher que vai a uma festa ou a uma reunião importante. Se não definires o teu “alvo”, vais continuar a gastar megas para falar com as paredes.
2. O teu perfil parece uma montra fria
Sabe aquelas lojas onde entras e o vendedor nem olha para a tua cara, só aponta para os preços? É assim que muitos perfis em Angola se parecem. Só têm fotos de produtos com o preço na legenda (ou pior, o famoso “preço no privado”).
As pessoas compram de pessoas. Se eu entro no teu perfil e só vejo fotos de estúdio ou imagens tiradas do Google, eu não sinto confiança. Eu quero ver quem está por trás do negócio. Quero ver o brilho nos olhos de quem embala o produto.
- Humaniza: Mostra os bastidores. Mostra a dificuldade de levantar cedo para ir buscar mercadoria.
- Cria conexão: Explica por que escolheste vender esse produto específico.
- Sê autêntico: O nosso povo gosta de sentir a energia. Se o teu perfil não tem “vida”, as pessoas passam direto para o próximo post que as faça sorrir ou aprender algo.
3. Postar por postar é o maior erro
Muitos “gurus” dizem que tens de postar todos os dias para o algoritmo te ajudar. Sim, a constância é importante, mas o conteúdo útil é o rei.
Se postas todos os dias só para “cumprir tabela”, vais acabar por cansar a tua audiência. Um post deve servir para uma destas três coisas:
- Ensinar algo: “Como conservar melhor a tua roupa de renda.”
- Resolver um problema: “Cansada de bases que não aguentam o calor de Luanda?”
- Entreter/Inspirar: Mostrar uma vitória do teu negócio ou uma história engraçada com um cliente.
Se os teus posts são apenas “Comprem, comprem, comprem”, o cérebro do teu seguidor ignora-te automaticamente. Ninguém entra nas redes sociais para comprar; as pessoas entram para se distrair. A venda é uma consequência de tu seres interessante primeiro.
4. O “Mistério” do Preço no Privado
Vamos falar a verdade: em Angola, temos o hábito terrível do “Preço no Direct”. Entendo que muitos fazem isso para tentar iniciar uma conversa, mas no mundo digital, isso é um repelente de clientes.
A internet é sobre rapidez. Se eu vejo algo que gosto e não tem o preço, eu sinto que:
- O preço é diferente para cada pessoa (falta de transparência).
- Vais demorar horas para me responder.
- O produto é demasiado caro e tens vergonha de dizer.
Ao colocar o preço, tu já filtrinhas quem realmente pode comprar. Não perdes tempo tu, nem perde tempo o cliente. Facilita a vida de quem quer te dar dinheiro!
5. Não cuidas da tua “Loja” (Bio e Atendimento)
Imagina que o teu post foi espetacular e a pessoa clicou no teu perfil. O que é que ela encontra? Uma biografia confusa? Um link de WhatsApp que não funciona? Uma foto de perfil que nem dá para ler o nome da marca?
Muitas vendas morrem no último metro. Se o cliente te manda uma mensagem às 10h e tu só respondes às 18h, ele já comprou na concorrência que respondeu em 5 minutos. No online, a paciência é curta. Se não tens processos organizados para atender, não adianta postar mil vezes ao dia.
O que fazer a partir de agora?
Não precises de entrar em pânico e apagar tudo. O marketing digital é um ajuste constante. Começa por olhar para o teu perfil como se fosses um cliente exigente. Tu comprarias de ti mesmo hoje?
Para venderes de verdade, precisas de transformar os teus seguidores em amigos e os teus posts em conversas úteis. Para de tentar ser uma “empresa grande e séria” e começa a ser o parceiro que resolve os problemas de quem te segue.


