
Olha, vamos falar de uma coisa que acontece muito aqui nas nossas empresas: o vendedor recebe uma lista de nomes, abre o LinkedIn, vê o cargo da pessoa e acha que já sabe tudo. Depois liga, o director atende com pressa, e o vendedor fica ali a gaguejar porque não tem nada de novo para dizer. É o famoso “entrar na rede sem isca”.
Em 2026, com a concorrência que temos em Luanda e nas províncias, se tu fores para uma call (ou para um encontro num café) sabendo apenas o que está no cartão de visita do cliente, tu já perdeste a venda. O segredo dos grandes “fechadores” de negócio é a pesquisa que ninguém faz. Aquela pesquisa que te dá o “mambo” que o cliente ainda nem confessou.
Quero partilhar contigo alguns métodos pouco convencionais, e o melhor de tudo, gratuitos, para tu descobrires quem manda realmente na empresa e quais são as dores que lhes tiram o sono.
1. O “Pulo do Gato” no Google News (Alertas)
Muitos decisores em Angola — directores de bancos, donos de frotas, gestores de minas — não postam tudo no LinkedIn. Mas eles aparecem nas notícias.
- O Método: Cria um “Google Alert” com o nome da empresa do teu prospect ou o nome do sector (ex: “Logística Porto de Luanda”).
- Por que funciona: Tu vais receber um e-mail sempre que essa empresa for mencionada. Se eles ganharam um contrato novo ou se estão com um problema jurídico, tu vais saber antes de toda a gente. Na chamada, tu não dizes “vi no Google”, tu dizes: “Acompanhei que vocês estão a expandir a operação para o Lobito, parabéns! Imagino que o desafio da equipa técnica agora seja…”. Isso é música para os ouvidos do decisor.
2. Investigar as Vagas de Emprego (Onde a Dor está Exposta)
Este é um dos métodos mais potentes e quase ninguém usa. Queres saber o que está mal numa empresa? Vê para que cargo eles estão a contratar.
- O Método: Vai ao portal de emprego que eles usam ou à página de carreiras da empresa. Lê os requisitos da vaga.
- A Leitura: Se eles estão a contratar desesperadamente gestores de stock, é porque o stock deles está uma confusão. Se procuram especialistas em cibersegurança, é porque sentem que estão vulneráveis.
- Na Call: Tu usas essa informação: “Tenho notado que muitas empresas do vosso sector estão a lutar para organizar o inventário e isso acaba por travar as vendas. É algo que também sentem aí?”. Tu já sabes a resposta, só estás a dar espaço para ele desabafar.
3. O Campo de Comentários dos Concorrentes
Às vezes, a dor do teu cliente não está no perfil dele, está nas reclamações que os clientes dele fazem.
- O Método: Vai às páginas das redes sociais dos concorrentes do teu prospect. Lê os comentários e as reclamações (no Facebook de Angola isso é uma mina de ouro).
- O Insight: Se os clientes do teu prospect reclamam que o atendimento é lento, tu já sabes que a dor do teu decisor é a eficiência da equipa dele. Na tua abordagem, foca em como o teu produto acelera o processo e melhora a imagem dele perante o mercado.
4. A Técnica do “Secretário Digital” via YouTube
Muitos directores e especialistas angolanos dão palestras em universidades ou participam em webinars que ficam gravados no YouTube e ninguém vê.
- O Método: Pesquisa o nome do teu prospect no YouTube. Se encontrares um vídeo dele a falar por 15 minutos, tu tens ali um tesouro.
- O que procurar: Ouve o jeito que ele fala, as palavras que ele usa e, principalmente, as opiniões dele sobre o futuro do mercado. Se ele disser no vídeo que “o futuro é a digitalização”, quando tu ligares, vais usar exactamente as mesmas palavras. A psicologia chama a isto de “espelhamento”. Ele vai sentir uma conexão imediata contigo.
5. Grupos de WhatsApp e Telegram do Sector
Nós sabemos que em Angola muito negócio se resolve no “boca a boca” dos grupos.
- O Método: Entra em grupos profissionais do sector (Engenharia, Direito, TI, Logística). Não entres para vender! Entra para ouvir.
- O que buscar: Vê quais são as dúvidas que os funcionários dessas empresas postam nos grupos. Muitas vezes o técnico posta: “Alguém sabe como resolver o erro X no sistema Y?”.
- A Jogada: Tu descobres que a empresa dele usa o sistema Y e que está a dar erro. Quando ligares para o chefe dele (o decisor), tu já vais com a solução para o erro que o técnico dele não sabe resolver.
Conclusão: Informação é Poder (e Respeito)
Fazer essa pesquisa antes da primeira call não é ser “cusca” (curioso). É uma prova de respeito pelo tempo do decisor. Quando tu chegas preparado, estás a dizer: “Eu valorizo o seu tempo e não vim aqui fazer perguntas básicas que eu podia ter encontrado na internet”.
Em Angola, onde a confiança é o que fecha o contrato, mostrar que entendes o “mambo” da empresa e as dores reais do gestor coloca-te logo na frente da concorrência que só quer “vender o seu peixe”.


