
Olha, vamos lá sentar e ter uma conversa de gente grande sobre números. Se tu trabalhas com marketing digital ou geres um negócio aqui em Angola, com certeza já ouviste falar do tal ROAS (o Retorno sobre o Investimento Publicitário). No dia a dia, a conta é simples: “gastei 100 mil Kwanzas em anúncios, vendi 500 mil, o mambo está a andar”.
Mas, o que acontece quando estamos perante um fenómeno como o lançamento do iPhone 17?
Estamos a falar de um momento em que a procura dispara, o mundo inteiro só fala disso e os sites de compras ficam lentos com tanta gente a clicar. Nestas épocas de grandes picos de demanda — onde a Apple costuma bater recordes — olhar apenas para a venda imediata no painel do Facebook ou do Google é um erro de principiante.
Hoje quero mostrar-te por que é que o ROAS, em tempos de lançamentos gigantes, precisa de ser analisado “além do óbvio”. Tens de considerar o valor de marca e o impacto a longo prazo, senão vais achar que estás a perder dinheiro quando, na verdade, estás a construir um império.
1. O Efeito “Halo”: Quando o iPhone vende o resto da loja
Imagina que investes forte em anúncios para o iPhone 17. O ROAS directo pode parecer baixo porque o custo por clique (CPC) sobe muito nestas épocas. Mas vê só: o cliente clica no anúncio do iPhone, entra no teu site ou na tua loja física no Shopping Fortaleza, e acaba por comprar também uma capa, um carregador extra ou até uns AirPods.
- A Análise: O ROAS tradicional só vai contar a venda do iPhone. A análise inteligente olha para o Aumento do Valor do Carrinho. Às vezes, o iPhone é o teu “isca”, o produto que traz o cliente para dentro de casa, mas o lucro real vem nos acessórios onde a margem é maior.
2. O Valor da Marca (Brand Equity) não aparece na folha de Excel
A Apple não gasta milhões em publicidade apenas para vender aparelhos hoje. Ela gasta para que, daqui a três anos, quando sair o iPhone 20, tu nem penses em mudar para outra marca.
- O Mambo em Angola: Quando tu fazes um lançamento forte aqui, o teu nome fica gravado na cabeça do povo. Se alguém vê o teu anúncio do iPhone 17 hoje, mas só tiver dinheiro para comprar daqui a três meses, essa venda futura foi gerada pelo anúncio de agora.
- O ROAS de Marca: Deves medir o aumento das pesquisas orgânicas (gente a escrever o nome da tua loja no Google) e o crescimento dos teus seguidores. Isso é valor que fica na tua empresa depois de a febre do lançamento passar.
3. Atribuição: O Cliente não compra no primeiro clique
Ninguém acorda, vê um anúncio de um milhão de Kwanzas e compra logo sem pensar. No lançamento do iPhone 17, o cliente vê o anúncio no Instagram, depois vê um vídeo no YouTube, conversa com um amigo no WhatsApp e só depois é que vai à tua loja fechar o negócio.
- O Erro: Se olhares apenas para o “último clique”, vais achar que o Instagram não funcionou.
- A Realidade: Em 2026, os dados mostram que são necessários, em média, 7 a 12 contactos com a marca antes de uma compra de alto valor. O teu ROAS deve ser visto como um trabalho de equipa entre todos os teus anúncios, e não como uma corrida individual.
4. A Retenção é o ROAS do Futuro
Vender um iPhone 17 para um cliente novo é caro. Mas vender um serviço de manutenção ou um novo gadget para esse mesmo cliente daqui a seis meses é muito mais barato.
- A Lição da Apple: O sucesso deles não é bater recordes no dia do lançamento; é o facto de que 90% de quem tem iPhone, continua a comprar iPhone.
- O Teu Foco: Mede o sucesso do teu lançamento pelo número de novos clientes cadastrados na tua base de dados (o teu pipeline). Se conseguiste os dados de mil pessoas interessadas, o valor disso é muito superior ao lucro da venda imediata.
5. Preparar o Terreno para a Escasse
Em Angola, muitas vezes o problema não é falta de cliente, é o stock que acaba rápido por causa da logística.
- A Estratégia: Se o teu ROAS está altíssimo mas já não tens iPhones para entregar, não desligues os anúncios! Muda a estratégia para “Pré-reserva” ou “Lista de Espera”.
- A Psicologia: Manter a marca activa durante o pico de demanda mostra solidez. O cliente que não conseguiu comprar agora, vai ficar com “fome” para a próxima remessa.
Conclusão: Não sejas escravo do painel de anúncios
Olhar para o ROAS como se fosse apenas uma máquina de calcular é limitar o crescimento do teu negócio. Em épocas de grandes lançamentos, como o do iPhone 17, o sucesso mede-se pela conquista de território.
Tu queres ser a primeira opção na mente do consumidor angolano. Se o teu anúncio trouxe visibilidade, credibilidade e novos contactos qualificados, o teu ROAS foi um sucesso, mesmo que o dinheiro não tenha entrado todo no primeiro dia. Vendas são momentos, marcas são para sempre.


