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O papel do marketing no crescimento real de uma empresa

O Papel do Marketing
O papel do marketing no crescimento real de uma empresa – RC Media

Olha, vamos ser sinceros: muita gente ainda olha para o marketing como aquele “gasto extra” para fazer uns cartazes bonitos ou colocar anúncios na rádio e na televisão. Mas, se pararmos para analisar o mercado aqui na nossa terra, percebemos rápido que o marketing não é um acessório. Ele é o coração que bombeia o sangue para o resto do corpo da empresa.

Quando falamos de crescimento real, não estamos a falar apenas de ter muitos seguidores no Instagram ou de ser a marca mais comentada no candongueiro. Estamos a falar de dinheiro no bolso, sustentabilidade e, acima de tudo, de uma marca que o angolano respeita e confia.

1. Entender o mercado antes de gritar “vende-se”

O primeiro grande erro de muitos empreendedores nossos é achar que o marketing começa na publicidade. Na verdade, o marketing começa na escuta.

Imagina que queres abrir uma padaria num bairro onde já existem dez. Se fores apenas “mais uma”, vais lutar pelo preço e acabar por fechar. O marketing entra aqui para te ajudar a entender: o que é que o povo daquele bairro sente falta? É de um pão mais quente à tarde? É de um atendimento com mais sorriso? É da facilidade de pagar via Multicaixa Express sem complicações?

Crescimento real começa quando tu resolves um problema que as pessoas têm. Se a tua empresa não entende a dor do cliente, ela não cresce; ela sobrevive até aparecer alguém que entenda melhor.

2. A confiança é a moeda mais forte em Angola

Nós, angolanos, valorizamos muito a relação pessoal. A gente gosta de saber com quem está a falar. O papel do marketing no crescimento é, precisamente, construir essa ponte de confiança.

Uma empresa que cresce de verdade é aquela que consegue transformar um desconhecido num cliente, e um cliente num “embaixador”. Sabe aquele cliente que te defende nos comentários do Facebook ou que indica o teu serviço no grupo da família? Esse é o resultado de um marketing bem feito. Não se trata de enganar ninguém com promoções falsas, mas de mostrar que a tua empresa é séria e que cumpre o que promete.

3. Posicionamento: Onde é que tu sentas à mesa?

No mercado, ou tu és o mais barato, ou tu és o melhor, ou tu és o que resolve mais rápido. Se tentares ser tudo ao mesmo tempo, acabas por não ser nada. O marketing ajuda a definir esse posicionamento.

Se a tua empresa quer crescer, ela precisa de um lugar na mente do consumidor. Quando alguém pensa em “comida caseira de qualidade”, o nome da tua empresa tem de saltar logo. Esse espaço na mente das pessoas não se ganha por sorte; ganha-se com repetição, com uma identidade visual que as pessoas reconhecem de longe e com uma mensagem que fala directamente ao coração (e à necessidade) do cliente.

4. O Marketing Digital não é bicho-de-sete-cabeças

Hoje em dia, não dá para ignorar o digital. Mas atenção: estar no digital não é só postar “bom dia” no Facebook. O crescimento real vem de usar essas ferramentas para encurtar a distância entre tu e o teu cliente.

  • Atendimento: Quantas vendas se perdem em Angola porque a empresa demora três dias a responder um WhatsApp? O marketing moderno exige agilidade.
  • Conteúdo: Em vez de só dizeres “compra aqui”, que tal ensinares o teu cliente a usar melhor o teu produto? Se vendes materiais de construção, dá dicas de como poupar cimento. Isso cria autoridade. E quem é autoridade, vende mais caro e vende sempre.

5. Fidelização: É mais barato manter do que conquistar

Muitos empresários gastam fortunas a tentar atrair novos clientes e esquecem-se de quem já lhes deu dinheiro. O marketing estratégico foca muito no Pós-Venda.

O crescimento real é cumulativo. Se tu conquistas 10 clientes novos por mês, mas perdes 9 porque o serviço foi mau ou porque nunca mais lhes ligaste, tu não estás a crescer, estás a correr no mesmo lugar. O marketing cria sistemas para que o cliente volte. Um cliente que volta é lucro puro, porque tu já não tiveste de gastar dinheiro com publicidade para o convencer pela segunda vez.

6. Adaptar-se à nossa realidade

Não adianta querermos copiar as estratégias que vemos nos vídeos do YouTube de gente de fora. O marketing em Angola tem as suas manhas. O “boca a boca” aqui é mais rápido que qualquer algoritmo.

Se tu fazes um bom trabalho, a vizinha conta à comadre, que conta no escritório. Mas se fazes um mau trabalho, o “mambo” espalha-se ainda mais rápido. O papel do marketing é gerir essa reputação. É garantir que a conversa que as pessoas têm sobre a tua empresa quando tu não estás presente seja positiva.

7. Medir para não andar no escuro

Por fim, marketing que gera crescimento é aquele que se consegue medir. Não é só sobre “sentir” que as coisas estão a correr bem. É olhar para os números:

  • Quanto é que eu gastei nesta campanha?
  • Quantas pessoas entraram na loja por causa disso?
  • O lucro dessas vendas cobriu o investimento?

Se não medires, não estás a gerir, estás a apostar. E empresa não é casino.

Em resumo, o que precisamos de ter em mente?

O marketing não é uma varinha mágica que vai salvar um produto mau ou um serviço péssimo. Pelo contrário, o marketing acelera o que a empresa já é. Se a empresa é boa, o marketing ajuda-a a voar. Se a empresa é má, o marketing só vai fazer com que mais gente saiba que ela é má.

Crescer de verdade em Angola exige paciência, consistência e um olhar atento às pessoas. As empresas que estão a dominar o mercado agora não são necessariamente as que têm mais dinheiro, mas sim as que melhor comunicam, as que são mais transparentes e as que conseguem fazer o cliente sentir-se valorizado.

O marketing é, em última análise, sobre pessoas. E enquanto houver pessoas, haverá oportunidades de crescimento para quem souber falar com elas de forma humana e honesta.

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